Trabalhos Publicados/Defendidos

Autor(a):
Pretende-se, nesta tese, provar a importância do Decreto 30.643, de março de 1952, como elemento determinante à constituição e à institucionalização científica da Dialetologia e da Geografia Linguística brasileira, direcionando-se à pesquisa do português do Brasil. Para tanto, sob o viés da Historiografia Linguística e da História das Ciências, procedeu-se a um mapeamento de conhecimentos e práticas do que ocorreu nesse estabelecimento de organização e implantação de atividades científico-culturais a partir de uma pesquisa documental e bibliográfica. A periodização adotada compreende o período de 1952 a 1986, tomando como corpus registros de atividades concernentes à Casa de Rui Barbosa, assim como textos jornalísticos, decretos, publicações em revistas científicas e manuais. O modelo de discussão e análise geral compreende as etapas de contextualização, imanência e adequação teórica defendidas por Koerner (1995). Como resultados, são identificadas e defendidas nove atividades no intervalo de 1953 a 1983, das quais oito são consideradas relevantes por refletirem os efeitos do Decreto e a importância da Casa de Rui Barbosa na pesquisa linguística: a pesquisa lexicográfica de brasileirismos (1953-1959), desenvolvida por Antenor Nascentes; o curso de Dialetologia e a exposição de Geografia Linguística (1954), organizados por Sever Pop; a conferência e a publicação sobre o Laboratório de Fonética na Bahia, por Nelson Rossi (1958, 1961); a elaboração e a publicação de Bases para a elaboração do Atlas Linguístico do Brasil (1958, 1961); planos de apoio e publicação de atlas, como o Atlas Linguístico do Estado do Rio de Janeiro (1975-1984), o Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais I e II (1977-1979) e o Atlas Linguístico de Sergipe (1979-1987); e a publicação do Questionário Básico do Trabalho de Campo, por Mônica Rector (1983).
 
Autor(a):

Os estudos de variação linguística levam em consideração questões diatópicas, diastráticas, diafásicas, diageracionais e diassexuais, podendo relacioná-las entre si. No Brasil, algumas propostas de divisões dialetais foram formuladas, destacando-se aquela proposta por Antenor Nascentes (1953) apresentada na segunda edição de O Linguajar Carioca (NASCENTES, 1953) por ser a mais citada, comentada e servir como base para quase todos os estudos de natureza geolinguística. Embora acompanhada de um mapa, a descrição das linhas de limites propostos por ele foi feita usando como referências localidades e acidentes geográficos (especialmente rios e serras) que não estão presentes nesse mapa, não sendo assim, suficientes para a reprodução das divisões. Além da proposta da divisão dialetal, Nascentes apresentou uma sugestão para rede de pontos para uso na coleta de dados para o Atlas Linguístico do Brasil (NASCENTES, 1958). Assim como o outro documento, a rede de pontos resume-se a uma listagem na qual os pontos sugeridos são apresentados agrupados conforme as divisões política e regional do Brasil à época e nominados de acordo com os topônimos então adotados e não correspondem, em grande parte, aos topônimos e dependências político-administrativas atuais (a divisão política do Brasil sofreu várias alterações entre 1953 e os dias atuais). Esta tese apresenta um mapa da divisão dialetal e 26 outros com as localidades sugeridas (um para cada unidade da federação atual), elaborados com recursos da Cartografia automatizada, usando recursos de banco de dados SIG – Sistemas de Informações Geográficas, associando cada elemento da descrição a quantas informações sejam necessárias (atributos). Essas informações, de cunho geográfico, histórico e socioeconômico, são identificadas por suas coordenadas geográficas (latitude e longitude), o que garante o caráter individual de identificação de cada uma delas, descartando, desse modo, qualquer problema de ambiguidade. A observação à Cartografia oficial permitirá que, a partir da edição deste novo mapa, em qualquer época, qualquer localidade ou acidente físico possam ser identificados e tenham a eles associadas novas informações. Isso será, para uso desta e de futuras gerações de linguistas, o grande diferencial entre este mapa e todos os demais até então publicados.