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XXIII Encontro Baiano de Estudantes de Letras (EBEL)

Letras: a Princesa Altaneira

A formação em Letras e a crise social nas instituições públicas de ensino superior

 

O XXIII Encontro Baiano de Estudantes de Letras (EBEL) é um evento acadêmico e científico e tem como objetivo central reunir estudantes dos cursos de Letras, anualmente, para discutir assuntos relevantes à sua formação acadêmica, profissional e humanística. Embora seja voltado para estudantes de Letras, do Estado da Bahia, estão convidados/as/es estudantes de outras áreas e de outros estados brasileiros que tenham interesse em participar das discussões abarcadas pela temática do evento.

 

Pensar a possibilidade de encontros, como este, no cenário atual do Brasil, é pensar que sua existência está, cada vez mais, ameaçada. É do conhecimento de todes que, como resultado de uma crise moral e política, iniciada por grupos balburdieiros insatisfeitos com os pobres conquistando direitos, avança, neste país, um grupo da Direita, que nitidamente visa o fortalecimento da desigualdade social e econômica em detrimento de interesses ideológicos, que estimulam a completa estratificação social e a supremacia dos grupos naturalizados superiores.

 

Estamos atravessando um período difícil da história deste país, cujo atual Governo Federal, que é caracterizado pela chantagem e autoritarismo, tem cortado verba pública de áreas basilares, como Saúde e Educação. Para este ano, já estabeleceu, inicialmente, um corte de aproximadamente R$ 6 bilhões, para o Ministério da Educação, que tinha a sua disposição pouco mais de R$ 23 bilhões. Em seguida, houve um corte de 30% do orçamento das Universidades Federais, que, segundo notas publicadas na internet, correm o risco de terem as atividades encerradas antes mesmo do ano terminar.

 

Em âmbito estadual, as nossas universidades são acometidas por um mal de natureza similar. Há dois anos, cerca de R$110 milhões não chegaram aos cofres das quatro Universidades Estaduais da Bahia, o que, numa avaliação sem muita complexidade, indica uma realidade calamitosa, que dificulta, entre tantas coisas, a permanência estudantil, sem falar nas péssimas condições de trabalho dos professores que não recebem reajuste salarial há seis anos e encontram, na greve, a única saída.

 

É dentro desse contexto que se encontram atualmente estudantes dos cursos de Letras e, considerando que o agravamento de todas essas questões afetam diretamente em sua formação acadêmica e profissional, o título do XXIII EBEL - Letras: a Princesa Altaneira: a formação em Letras e a crise social nas instituições públicas de ensino superior - foi meticulosamente pensado.

 

A proposta desta edição tem relevância, pois, ela parte da inquieta necessidade de erguer, elevar, colocar em lugar de destaque o essencial curso de Letras, que habilita estudantes à difícil e prazerosa atividade que é compreender a estrutura de uma língua; da urgência de refletirmos sobre a formação em Letras, durante esse período tão melancólico do nosso país, em que a Educação sofre constantes ataques, o trabalho do professor é, cada vez mais, desvalorizado pelo governo. A Pesquisa, que é uma via considerada por parte dos discentes, não recebe a atenção devida. E por último, mas não menos importante, problematizamos a crise social, educativa e estrutural, nas instituições públicas de ensino superior, da qual fazemos parte e estão tão ameaçadas.

 

Isto posto, torna-se o EBEL um dos lugares mais apropriados para o debate de tal temática. Nele, serão abertos espaços para exposições e trocas de experiências, em que a participação de cada encontrista será indispensável, para promover o crescimento do seu conhecimento acadêmico, científico, social e político.

 

No que se refere ao título e a logo do evento, explicamos: o termo “Princesa Altaneira” foi tomado de empréstimo do Hino Oficial do Município da cidade sede do evento, Feira de Santana. É uma alusão ao fato de Feira de Santana ser a maior cidade do interior do Nordeste. Também conhecida como Princesa do Sertão, título atribuído por Ruy Barbosa, foi formada a partir de uma feira popular que se expandiu e foi elevada à segunda maior cidade da Bahia, com população composta por pessoas de diversas regiões circunvizinhas, possui seus encantos assim como toda princesa.

 

Quanto a imagem de Maria Quitéria, ela está intrinsecamente ligada ao título, pois, quando a heroína eleva o livro acima da cabeça, ela coloca, em lugar de destaque, o conjunto dos conhecimentos literários e linguísticos, as Letras. A tempo, Maria Quitéria de Jesus (1792-1853)  nasceu em São José das Itapororocas, região que pertencia à comarca de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, atual município de Feira de Santana. Ela foi uma mulher excepcional, a primeira, inclusive, a integrar as Forças Armadas Brasileiras, sendo considerada a grande heroína na guerra pela independência do Brasil.

 

Maiores informações: https://ebeluefs.wixsite.com/2019/edicao2019